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do_lume_oai_000
ou por sensações para as quais seria plausível (embora racionalmente incerto) crer que tivessem uma matriz etiológica em coisas no mundo (Hume). Locke usando a terminologia cartesiana, chamou a tais conteúdos de idéias. Para ele, as palavras, que são os constituintes da linguagem por meio dos quais nos comunicamos,
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79
do_lume_oai_001
constituída por nomes que correspondem a idéias. A relação entre nomes e idéias é arbitrária, fato que, para Locke, não só explicava a diversidade das línguas, como também dava conta da atribuição de propriedades semânticas tout court (v.g. , representar, referir-se a, ser verdadeiro de) às idéias. Como a linguagem é
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do_lume_oai_002
apresentamos o desenho da árvore a alguém, tal pessoa pensaria necessariamente numa árvore real. Mas ainda, ela seria levada a pensar numa árvore mesmo que jamais tivesse entrado em contato com árvores reais (essa pessoa pode ser habitante de um planeta em tudo semelhante ao nosso, exceto por uma circunstância:
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do_lume_oai_003
relacionariam por convenção. (Fodor, 1976:157-96) A idéia é, em princípio, plausível. No entanto, uma análise mais detida do que ela nos oferece mostra que o PMI não pode corresponder às exigências daquilo que fazemos quando falamos e pensamos, e isto por uma razão muito simples: no PV, que é o Português padrão (no qua...
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lume_oai_www.lume.ufrgs.br_10183_433
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do_lume_oai_004
Mental Princípio da Correspondência Sistemática: estabelece a possibilidade da construção de linguagens nas quais há uma “correspondência sistemática” entre certas características sintáticas e certas características semânticas dos itens que constituem o domínio destas linguagens. Isto quer dizer que o conteúdo
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do_lume_oai_005
qual me refiro deve, assim, possuir um léxico a partir do qual Pedro possa ser representado sob certas condições determinadas e específicas. Símbolos semanticamente avaliáveis são aqueles que podem ser combinados devido às propriedades sintáticas que possuem essencialmente. As regras de associação entre estes símbolos ...
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Ser semelhante não é uma propriedade que podemos caracterizar, sem o recurso a algum critério ad hoc, como representacional. Coisas que são semelhantes não são coisas que necessariamente representam umas às outras, mesmo porque a semelhança é uma relação simétrica e a representação não o é. Um símbolo
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do_lume_oai_007
Bibliografia: Aristóteles. De Interpretatione (trad. ing. E. M. Edghill, The Works of Aristotle, London, Oxford University Press, vol. I, 1971). _________, De Anima (trad. ing. J. A. Smith, The Works of Aristotle, London, Oxford University Press, vol. III, 1968). Fodor, Jerry, The Language of Tought, Hassocks, The Harv...
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do_obra_016_000
Tudo isso era dito com volubilidade, confiança e doçura. Calçadas as luvas, pôs o mantelete, e a sobrinha ajudou-a, falando também, jurando que, apesar de tudo, adorava o Conrado. Conrado era o marido, advogado desde 1874. D. Paula saiu, levando muitos beijos da moça. Na verdade, não podia chegar mais a ponto.
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D. Paula
Machado de Assis
77
do_obra_016_001
rumor das vozes, e teve o poder de representar, com o quadro, um pouco das sensações dela; e pediu-lhas com interesse, astutamente. —Não sei o que senti, acudiu a moça cuja comoção crescente ia desatando a língua; não me lembro dos primeiros cinco minutos. Creio que fiquei séria; em todo o caso, não lhe disse nada. Par...
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D. Paula
Machado de Assis
92
do_obra_001_000
cujas áreas se deduzem, com segurança, em números redondos: Região ao sul do Madre de Dios 93 000 km Região entre o Madre de Dios, Abunã, Acre Meridional e paralelo 11o 73000 km Região a oeste da linha Inambari-Javari 130 000 km Região ao norte do paralelo 11o até a linha de Santo Ildefonso, conforme as últimas
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
do_obra_001_001
privilegiada flora geradora da matéria-prima entre todas mais crescentemente exigida pela indústria moderna - põe-se de manifesto que o debate arbitral, em andamento, não entende apenas dos interesses imediatos das Repúblicas litigantes, senão também dos que se ligam, sob várias modalidades, à economia geral, à polít...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
119
do_obra_001_002
estribilho único. Este: providências e medidas urgentíssimas “a contener os portugueses del rio de S. Pablo ...“ E quando cessa é para ceder a variantes piores: em 1638, por exemplo: o licenciado Presidente da Audiência de Charcas, depois de descrever a marcha da invasão, sobrestante no território de Moxos e com
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_003
concebida a ciegas, teria de ultimar-se, obrigatoriamente, na margem direita do Javari. Nomeado este, dever- se-ia nomeá-la. Não o fizeram, porém, os modernos estadistas. Não deviam fazê-lo. Foram lúcidos. Foram lógicos. A base das novas negociações era outra. O Tratado preliminar de 1777 estava extinto. O de 1851
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
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O mesmo Paz Soldan, no mesmo livro - livro oficial, cristalizando todo o conhecimento geográfico do tempo -, traça os limites orientais da República. A linguagem é resplandecente. Não há miopia intelectual que se lhe furte. Diz: “De Tabatinga vers la Sud, la rivère Janary a partir de son confluen ce avec le fleuve d...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
85
do_obra_001_005
Digamos: a base principal das pretensões peruanas, no vertente litígio com a Bolívia, submetida ao exame e ao juízo do Governo argentino, além de ser incaracterística e vaga, ilógica e inviável, nula de direito e de fato, volúvel ou passiva ante os caprichos de todos os cartógrafos - está errada, flagrantemente errad...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
83
do_obra_001_006
atribuições, das que entendiam de simples casos administrativos, aos assuntos da guerra, às delicadas exigências da justiça. Além disto, o grande ajuntamento ilícito, de soldados e exatores, adscrito a um esforço único, sem funções especializadas, amorfo e inconsistente chegando, acampando, saqueando, saindo - não
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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do_obra_001_007
entestar os domínios portugueses, a nova Audiência se expandia em extremas incaracterísticas: ao norte, as regiões ainda misteriosas, inçadas de infietes genericamente designados pelos nomes de chunchos e mojos; ao sul, os terrenos do Paraguai, e as províncias de Tucuman e Juries, que hoje se integram na Confederação
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
80
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repartimentos e das mitas. Viram-se, então, desde logo, fronteirando-se, o melhor das gentes forasteiras e o aborígine. O cruzamento entrelaçou-se como em nenhuma outra possessão espanhola. Surgiu uma gente nova, mais robusta, mais estável, equilibrando-se ao meio, e refletindo, a par dos atributos físicos da
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_009
dispartiam em tumultos e revoltas intestinas, ali se compunham num movimento geral e instintivo de defesa. Leiam-se os cronistas do tempo. Os bolivianos acordaram na história aos prolongados rumores de uma invasão. Adestraram-se desde cedo num tirocínio de batalhas. Uniram-se sob o império de uma ameaça, que
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
77
do_obra_001_010
Os terrenos repartir-se-iam por igual; e, certo, portugueses e espanhóis, naquele tempo, não compreenderiam que, depois de estabelecidos tais limites, se insinuasse por ali, ajustando-se-lhes, estreitíssima, pela parte do sul, a estirar-se por mil e quinhentos quilômetros até chegar ao Madeira, um tentáculo apreensor...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
109
do_obra_001_011
aldearam os índios pamas, erecta, em 1758, nas cercanias da cachoeira do Girau (9o 20‘ 45“ 7 lat. sul; 65o 04‘ 42“ long. O. Greenwich). Aí estio duas coordenadas astronômicas e uma data que, nesta concisão numérica, valem muitas páginas eloqüentes. Dizem, com o inflexível rigorismo destes números a travarem-se, níti...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
86
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cento e quarenta e cinco anos. .. e está cento e setenta quilômetros ao sul da singularíssima latitude (6o 52‘ 15“) das pretensões peruanas‘ Ora, neste expandir-se, encalçou-a a influência boliviana. Faltou-lhe, sem dúvida, um historiador. Não teve, também, os decisivos efeitos de uma posse definida. Mas nos nossos ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
165
do_obra_001_013
Assim inicia um deles a narrativa dos casos extraordinários que se desenrolaram até as vésperas do Tratado de 1777. Não foram algaras violentas e céleres, surgindo, devastando, desaparecendo; senão uma guerra, que ainda em 1766 exigia socorros urgentíssimos dos governos remotos, do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
82
do_obra_001_014
comentar, concluímos que os debates de 1750, completados pela Cédula Real de 1772, destacaram, em plena luz, a ingerência exclusiva do Governo de Charcas em todo o N . E. dos domínios espanhóis, do Guaporé ao médio Madeira. A evolução da autonomia boliviana, deduzida a princípio no elastério de um raciocínio teórico...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
134
do_obra_001_015
jesuitas expulsos“ - um nobre objetivo: “Afianzar aquellos terrenos que tanto codician las rayanos porsa gueses“ (los sagaces portugueses de Cuiabá!) - e por fim um meio: “a criação de governos político-militares para regerem as duas províncias, “cada una de cosa de cento e cincuenta leguas de jurisdición“, ficando ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
89
do_obra_001_016
Estes extratos surpreendem. Não há iludir-se-lhes o significado dominante: as gentes da circunscrição longínqua indicavam, por si mesmas, à monarquia espanhola, os elementos formadores de seu novo aparelho político, e reclamavam uma reorganização urgentíssima, em que incidiam imperiosos antecedentes históricos.
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_017
escolas táticas de exercícios militares, sistematizando a aprendizagem da guerra e o destemor dos perigos; e, por último, um Governo político, no significado mais amplo, “con todos sus ramos y demás dependencias de él“, por maneira que com o tempo as mesmas províncias pudessem ocorrer às suas próprias necessidades, à
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
80
do_obra_001_018
Por fim, enfeixou todas as medidas deste programa, quase revolucionário para aquela época, propondo: “...establecer un Gobierno y Capitania General en aquella frontera que abrace, no solamente las misiones de Mojos, que hoy se consideran las más expuestas, sino también la de Baures y Chiquitos sin excluir la ciudad
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
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Releiam-se estas linhas, copiadas sem o discrepar de uma letra. Aí está, visivelmente, a repontar, às claras, não já uma Audiência revestida de excepcional autonomia, senão um verdadeiro Vice-reinado, ou, pelo menos, um governo tendo um chefe condecorado com o mesmo subtítulo pomposo dos Vice-reis (D. Pedro
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
77
do_obra_001_020
esclareceu, os seus trechos principais. Ampliou o teatro da campanha defensiva, desenvolvendo-o para o sul, até ao Pilcomayo e ao Chaco. Assim, a seu parecer, não era bastante que os invasores fossem repelidos nas regiões limítrofes de todo o norte boliviano: “no basta contenerlos por el lado septentrional de Mato G...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
108
do_obra_001_021
maneira explicita, que o problema estava resolvido em toda a banda do norte, onde se firmava o papel político e militar da Jurisdição de Charcas. Destacou-o, ao cabo, revestido da mais completa autonomia. Disse: todas aquelas medidas, em que se incluía até um programa científico de explorações geográficas, com
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_022
Grande, onde se inaugurou o tirocínio militar, bravio, dos gaúchos. Os combates, dispersos em recontros, céleres e multiplicados, encantam-nos por vezes: a coragem e a destreza, a celeridade e a força, harmonizam- se à maravilha naqueles esplêndidos torneios, que se alongam nos arrancos das carreiras impetuosas, ou
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
do_obra_001_023
Mato Grosso, e planear-se no Conselho das Índias, como remate e sanção real à marcha progressiva da Audiência internada, que ia transfigurando-se no crescente refinamento das mais enérgicas qualidades do caráter, para a repulsa do estrangeiro. A diretriz histórica da Bolívia, a princípio uma frase, traçou-se, afinal,
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
80
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imperial, não maravilha que na Bolívia, onde o Governo regional subira tanto, se acendesse, e deflagrasse, e não se extinguisse mais, o primeiro rastilho da insurreição do Equador; ou que “la primera senal del alzamiento de los criollos americanos fué dada por ella em 1809 en Chuquisaca y la Paz, um ano antes que en...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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fundaram a rude nobiliarquia de um verdadeiro marquesado, nas fronteiras. Ali, ela refinou os seus atributos nativos; e chegou à independência administrativa antes de chegar à República. Não se iludem estes fatos. Nem maravilha que no desdobramento do período revolucionário, de 1809-1823, a Bolívia centralizasse po...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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o Capitão-general que governou o Peru, de 1790 a 1795, D. Francisco Gil y Lemos, entregou, por obedecer à lei, ao seu sucessor, um relatório com o mapa de todos os seus domínios. A valia deste documento é intuitiva, não já pelo caráter legal, senão por aparecer ao cabo de prolongado pleito enfeixando-lhe as resoluçõ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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Subscrevia-o D. André Baleato, conhecido cosmógrafo da época.(3) Temo-lo sob as vistas. Vemos, de um lance, a que se reduziam as terras peruanas, em 1795. E embora Gil y Lemos, na sua memória, advirta “que el reyno deli Perú ha perdido mucho de aquela grandeza local que tuvo“, e tenhamos assistido a sua decadência, ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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Realmente, a sua intendência mais avançada em semelhante rumo, a de Cuzco - que hoje se intenta espichar até o Madeira - ficava consideravelmente distante deste rio. Qualquer carta revela que só poderia prolongá-la até ali o partido norte-oriental de Paucartambo; e este cerrava-se em raias inextensíveis e fixas. Dema...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
82
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uma apenas, genuinamente peruana, que por si só supre por muitas. Reclamemos, ainda uma vez, o auxilio de D. Mateo Paz Soldan, o mestre tradicional da fisiografia da República vizinha. E abrindo o seu livro, o seu magnífico livro em boa hora impresso em Paris, à custa do Governo de sua terra, leiamos, aprendamos: “L...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
134
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querian comprender en la nueva diócesis“. 2o) Os que planejavam unir, sob uma só jurisdição, as terras de Maynas e as de Apollobamba, não sabiam, “por falta de geografia, la inmensa extensión que daban a aquel obispado“. 3o) Se porventura se efetuasse tão absurdo projeto, ao prelado ser-lhe-ia “imposible que las pud...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
82
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aparecem, carregando cada um o seu pequeno mundo muito bem feito e quase sempre errado. Falta-lhes, em geral, a intimidade da Terra. Nunca sentiram em torno, entre as vicissitudes das explorações longínquas, o império formidável do desconhecido, a ressaltar nas perspectivas assombradoras das paragens
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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do_obra_001_032
levante, depois de acompanhar o Itenez, o Mamoré e o Madeira, estaca na foz do Beni, e desta última estira- se, retilínea, para o poente, segundo um paralelo, a interferir o Purus na latitude aproximada de 100 30‘. Notam-se, desde logo, lacunas inevitáveis neste deslindamento geral. Mas o seu significado inegável,
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
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capitania ou província de Mato Grosso, estendendo-se para o norte até pouco além da cachoeira de Santo Antônio, confinava no ocidente, de uma maneira exclusiva, com os Governos de Chiquitos e de Moxos. Ora, entre todos aqueles nossos geógrafos, que ali viveram percorrendo todas as paragens, dois únicos são
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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une rivière tres considerable qui separe la province de Carabaye du territoire des barbares... et un afluent du Maranón dans lequel il va se jeter apres une percours assez êtendu.“(8) Aí se observa, a ladear o pasmoso erro geográfico, a insistência naquela demarcação política certíssima: Não multipliquemos os exemp...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
81
do_obra_001_035
brasileiros; em 1844, oriundas das tentativas Bolivianas, visando franquear a navegação para o Amazonas; em 1845, 1846 e 1847, até 1850, relativas todas, em última análise, ao domínio amplo do Madeira; em 1853- 1858, irrompendo dos decretos declarando livres ao comércio e navegação estrangeiros todos os rios que
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_036
amargamente, a Bolívia de permitir que ela se mudasse tanto para o sul, o que importava na perda de dez mil léguas quadradas de terrenos, incorporados ao Brasil, onde se deparam: “ríos importantisimos, tales como el Purus, ei Yuruá y Yutay, cuyo porvenir comercial puede ser inmenso“; e, logo adiante, esquecido da se...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
125
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Por fim, a serôdia impugnação não afirma, não precisa, não acentua um juízo claro dos prejuízos peruanos. Não diz o que reclama. O protesto é o murmúrio vacilante e medroso de uma conjectura; é a expressão anódina de um interesse aleatório: o governo boliviano cedeu ao Brasil territórios “que pueden ser de la
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
78
do_obra_001_038
O prolongamento natural destas linhas consistiria em desvendar o cenário da recentíssima expansão daquela República, a estirar-se pelas cabeceiras do Juruá e do Purus - obscuramente, temerosamente e criminosamente - escondida no afogado das selvas oscuras das castillôas, por onde vai alastrando-se a rede, aprisionado...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
81
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PROTESTA DEL PERU Ministerio de Relaciones Exteriores del Perú - Lima, Diciembre 20 de 1867. Señor Ministro: El infrascrito, Ministro de Relaciones Exteriores del Perú, tiene el honor de dirigirse á S. E. el Señor Ministro de igual clase de la República de Bolívia, con motivo del Tratado que se ha celebrado en La
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
do_obra_001_040
Tratado, en la parte que se refiere únicamente a Bolívia. Sin embargo, cree de acuerdo con lo que en otra ocasión manifestó el Gabinete de Sucre, que el principio del uti possidetis; pactado en el primer acápite del artículo 2o, si bien puede invocarse con justicia en las controversias territoriales de los Hispanoame...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
82
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morro de Buena Vista y a los Cuatro Hermanos; de estos también en línea recta hasta las nacientes del rio Verde; bajará por este rio hasta su confluencia con el Guaporé y por medio de éste y del Mamoré hasta el Beni, donde principia el rio Madera“. “De este rio para el Oeste seguirá la frontera por una paralela tira...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
132
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Del marco designado indicaremos los verdaderos rumbos; en el punto Sur de la margen izquierda del Beni, 16o 53‘ 53“ Sudoeste 4.439,5 metros hasta el punto; formado por la margen derecha del Beni e izquierda del Mamoré 2o 25‘ 25“ Sudoeste y la distancia de 3575 que queda en la margen derecha del Madera 49o 13‘ 35“
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
79
do_obra_001_043
La segunda cuestion se refiere a la verdadera Latitud y iongitud de la naciente del rio, según Consta del acta (Latitud 6o 59‘ 29“, 5 Sur y Longitud 74o 6‘ 26“ 67 Oeste de Greenwichb). Aumentando tres millas al rumbo S. O. del mundo nos da: Latitud siete grados un minuto diez y siete segundos, cinco decimos Sur; y lo...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
81
do_obra_001_044
observador admirável. (6) “Nota Protesta“ do Sr. J. A. Barrenechea, de 20 de dezembro de 1867. (7) PAZ SOLDAN, Mateo - Geographie du Perou, etc. Publiée aux frais du gouvernement perouvien. Paris, 1863, p. 3. (8) Loc. cit., p. 2. (9) El Perú, t. 2o, pp. 405 e 406. (10) Para isto, ao revés de confluência Mamoré-Gu...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
93
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semidistância à foz do Madeira: “15‘52o6“31‘24o32 “31‘24o3‘20o10 =−− (11) Mapa de la región Hidrográfica del Amazonas Peruano, mandado trazar por la Sociedad Geográfica de Lima. (12) PAZ SOLDAN, Manuel Rouaud y - Observaciones Astronomicas y Físicas, etc. Lima, 1869, p. 26. Ofício de Don Lazaro de Rivera, ao ...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
138
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originou, vai muito mais do que as fantasias cartográficas daquela época. (2) Archivo de Índias. Informe del Marquez de Valdelírios, etc. 24 de abril de 1776. (3) Archivo de Índias. Dictamen del Fiscal Campomanes, 3 de maio de 1777. (4) Archivo de Índias. Carta de Pedro R. Campomanes a D. José Galvés. (5) Archivo H...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
120
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veremos, do nome da primeira província nomeada naquela carta régia. (2) Archivo de Índias. Extractos de la Junta Suprema de Estado y del Consejo de Indias. (3) Archivo de Índias. Legajo: “Audiencia de Charcas.“ 1777. (4) Arcbivo de Índias. Est. 120, cai. 7, ieg. 27. (5) Historia de San Martin. T. 1. (6) VALDÉS Y P...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
164
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A pesar de tantos y tan severos contrastes, no se pasó um sólo dia sin que se pelease y se murise en aquelia región mediterranea... ... La insurrección en Bolívia cundia a la menor se.... São extratos ao acaso. Há centenas de outros idênticos. (Historia de San Martin.) (2) QUIJANO OTERO, José Maria. Memória Histó...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
167
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Maynas. Arch. índias. Est. 115, c. 6, l. 23. VII (1) ZEBALLOS, Estaníslao. Map Showing the Lands Granted by Spain to Portugal. Washington, 1894. (2) Cf. o mapa que Lardner Gibbon, oficial da U. S. Navy, anexou ao seu Relatório, 1854. (3) Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. T. IV, p. 156. Qua...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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VIII (1) MICHELENA Y ROJAS, F. - Exploración Official, etc., 1867, p. 575 (2) WOLF, T. - Geografía y Geologia del Ecuador, 1892, p. 12. (3) BASTOS, Tavares. Cartas de um Solitário. (4) F. Maury, Tenente da U. S. Navy. O Amazonas e as Costas Atlânticas, etc. Rio de Janeiro, 1853, p. 35. (5) PINTO, A. Pereira. Estud...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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Mojone, quer dizer marco divisório, o que certo não havia, e sobretudo antigos, naquelas terras ignotas. (ARANDA, Collección de Tratados del Perú. Tomo II, pp. 309, 293, 287, etc.) (7) Veja-se o Apêndice final. (8) Em flagrante desacordo com o parecer atual da Sociedade Geográfica de Lima!. (9) “Nota-protesta“ do P...
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Peru versus Bolívia
Euclides da Cunha
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Amaro foi para casa disposto a fazer no dia seguinte a sua proposta de casamento a Antonina. E, com efeito, no dia seguinte apareceu Amaro em casa de Carvalho, como costumava, e aí, em conversa com a viúva, perguntou-lhe francamente se queria casar com ele. — Ama-me então? Perguntou ela. — Deve tê-lo percebido, porqu...
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O carro 13
Machado de Assis
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fazenda. — Não, não fui à Soledade depois que voltei; e vais espantar-te da razão; vou casar-me. — Casar-te! — É verdade. — Com a mão esquerda, morganaticamente... — Não, publicamente, e com a mão direita. — É assombroso. — Dizes isso porque não conheces a minha noiva; é um anjo. — Então dou-te os meus parabéns. — Hei ...
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O carro 13
Machado de Assis
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passou rapidamente do velho Horácio a um assado com batatas. — Mas, continuou o amigo de Amaro, não me dirás por que motivo lhe não respondeste? — Eu sei lá. Primeiramente porque não estou acostumado a esta espécie de romances vivos, começando por cartas anônimas, e depois porque vou casar... — A isso respondo eu que ...
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O carro 13
Machado de Assis
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Indo daqui para Botafogo, não há motivo nenhum que me impeça de entrar no Passeio Público ou na Biblioteca Nacional... Queres tu ceder-me o romance? — Isso nunca: seria uma deslealdade... — Pois então responde. — Mas que lhe hei de dizer? — Dize-lhe que a amas. — É impossível; ela não pode acreditar... — Pateta! disse...
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O carro 13
Machado de Assis
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apressou-se a dizer ao amigo: — A tua noiva é linda. — Não achas? — Decerto. E parece que te quer muito... — É por isso que eu lamento ter escrito aquela carta, disse Amaro suspirando. — Olha que parvo! exclamou Marcondes. Por que motivo há de Deus dar nozes a quem não tem dentes? — Acreditas que ela responda? — Se re...
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O carro 13
Machado de Assis
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Amaro percebeu que o amigo hesitava em dizer-lhe alguma coisa. — Em que pensas? perguntou-lhe. — Penso que tu és um palerma; e sou capaz de continuar o teu romance por minha conta. — Isso não! já agora deixa-me acabar. Vamos ver que resposta vem. — Quero que me ajudes, sim? — Pronto, com a condição de que não hás de s...
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O carro 13
Machado de Assis
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Quanto ao pedido que me faz de querer ver-me, respondo-lhe que não há de ver-me nunca; nunca, ouviu? Basta que saiba que eu o amo, muito mais do que há de amá-lo a viúva Antonina. Perca a esperança de ver-me. — Estás vendo, disse Amaro Faria a Marcondes mostrando-lhe a carta, está tudo perdido. — Oh! pateta! disse-lh...
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O carro 13
Machado de Assis
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exalando melancolia e sugerindo recordações. Joaquim dos Anjos ainda conhecera a “chácara“ habitada pelos proprietários respectivos; mas, ultimamente, eles se tinham retirado para fora e alugado aos “bíblias“. Os seus cânticos, aos sábados (era o seu dia da semana de descanso sagrado), entoados quase de hora em hor...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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estava sempre cheio, nos seus dias solenes. Os freqüentadores dessa ou daquela natureza lá iam sem nenhuma repugnância, pois é próprio do nosso pequeno povo fazer uma extravagante amálgama de religiões e crenças de toda a sorte, e socorrer-se desta ou daquela, conforme os transes e momentâneas agruras de sua existê...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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morrido. Eram casados há quase vinte anos, e esta Clara, sua filha, sendo o segundo filho do casal, orçava pelos seus dezessete anos. Era tratada pelos pais com muito desvelo, recat o e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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montanhas circundantes, nuas e pedroucentas, que recortavam o alto horizonte. De quando em quando, mas sem grandes espaços, Joaquim gritava para a cozinha: - Clara! Engrácia! Café! De lá, respondiam, com algum amuo na voz: - Já vai! É que as duas mulheres, para preparar o café, tinham que retirar, de um dos...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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de Joaquim recebiam os cumprimentos da menina: - A bênção, meu padri nho; bom-dia, Seu Lafões. Eles respondiam e punham-se a pilheriar com Clara. Dizia Marramaque: - Então, minha afilhada, quando se casa? - Nem penso nisso - respondia el a, fazendo um trejeito faceiro. - Qual! - observa Lafões. - A menina j...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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do violão e da modinha. Clara não se conteve e perguntou apressada: - Quem é? Lafões respondeu: - É o Cassi. A menina... O guarda das obras públicas não pôde acabar a frase. Marramaque interrompeu-o furioso: - Você dá-se com semelhante pústula? É um su jeito que não pode entrar em casa de família.
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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fosse o violão, fossem ambos conjuntamente, o certo é que, no seu ativo, o Senhor Cassi Jones, de tão pouca idade, relativamente, contava perto de dez defloramentos e a sedução de muito maior número de senhoras casadas. Todas essas proezas eram quase sempre seguidas de escândalo, nos jornais, nas delegacias,
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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ou quase nada sobrando para roupas, sapatos e gravatas. Ele, sem isto tudo, estava perdido. Adeus amor! Se o quisesse, tinha que pagar... Considerando tal hipótese, não relutou em obe decer à irmã; mas começou a cercar Nair “por fora“. Quando ela ia sair, precedia-a, ficava na porta da padaria, cumprimentava. Afina...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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descobrir-lhe a falta, que se denunciava pelo estado do seu ventre. Correu ao Senhor Manuel, que não estava. Falou a Dona Salustiana e esta, empertigando-se toda, disse secamente: - Minha senhora, eu não posso fa zer nada. Meu filho é maior. - Mas, se a senhora o aconselhasse como mãe que é, e de filhas, talvez ob...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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dor inqualificável: - Não posso fazer nada, no caso, minha senhora. Já lhe disse. A senhora recorra à justiça, à polícia, se quiser. É o único remédio. A mãe de Nair acalmou-se um pouco e observou: - Era o que eu queria evitar. Será uma vergonha para mim e para a senhora e família. - Nós nada temos com o que C...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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iniciativa do processo quando a vítima é filha de pais miseráveis, sem recursos. - Mas, não há remédio, doutor? - Só a senhora constituindo advogado. - Ah! Meu Deus! Onde vou buscar dinheiro para isso? Minha filha, desgraçada, meu Deus! E pôs-se a chorar copiosamente. Quando serenou, o delegado mandou que um em...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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cantos da sala. - Mas que há, homem? - fez a mulher assustada. - Lê isto. Deu-lhe o jornal, apontando o local do suicídio. - Mas que culpa tem... Não acabou a frase, Dona Salustia na; o marido logo a interrompeu: - Culpa! Esse biltre sem senso moral algu m; esse assassino, esse desgraçado que leva a
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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normalista, na viagem de trem, o olhava muito. Marcou-lhe a fisionomia e, ao dia seguinte, à mesma hora, pôs-se, na estação, à espera dela; não veio. Esperou outro trem, não veio. Assim, esperou diversos. No outro dia, após esse, foi mais feliz; ela veio. Procurou lugar conveniente e pôs-se a fazer trejeitos. A moç...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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palestrando calmamente. Cassi os olha insistentemente. Chegam à Central, e o rapaz despede-se da moça, que segue para a sua escola. Volta- se o cavalheiro e procura com o olhar o Senhor Cassi. - É o senhor? Cassi Jones responde: - Sou eu. - Desejava muito falar-lhe. Vamos à confeitaria; é coisa particular, e n...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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caminhando, vai dizendo: - O senhor talvez não me conheça. Porém e u, meu caro senhor, o conheço muito bem. Nos subúrbios, todos conhecem as suas habilidades, Senhor Cassi Jones; e, embora esteja lá morando há pouco, já tive notícias do seu valimento. Cassi assustava-se com a calma do rapaz e pôs -se a medir-lhe ...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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disposto. Chegaram à confeitaria e sentaram-se. O caixeiro serviu vermouth; e, quando iam em meio, o outro disse ex-abrupto para Cassi: - O senhor sabe quem é aquela moça que vinha a meu lado? Colhido de surpresa, não pôde tergiversar e disse prontamente: - Não sei absolutamente. - É minha irmã - afirmou o des...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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muito reluzente e com um luxuoso cabo de madrepérola. Cassi redobrou o esforço pa ra não denunciar o susto e, simulando calma, disse: - Mas, meu caro senhor, creio que nunca falte i com o respeito devido à senhora sua irmã. - É verdade; mas é preciso deixar de pers egui-la - confirmou o outro e logo acrescentou,
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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como que dando por acabada a entrevista: - Quer tomar alguma coisa mais? - Não; muito obrigado. Despediram-se, sem se aperta rem as mãos; e Cassi foi para a sua roda de Ataliba do Timbó, Zezé Mateus, Franco Sousa e Arnaldo. Um deles perguntou-lhe: - O que queria aquele sujeito contigo? - Nada. É meu vizinh...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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ficar com a mulher, embora, resignadamente, ela sofresse toda a espécie de privações, no horrível subúrbio de Dona Clara, enquanto ele andava sempre muito suburbanamente elegante e tivesse vários uniformes de football. Tirava proventos do jogo de dados ou cam pista, e também do football, em que era
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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grupo de Cassi. Intitulava-se advogado e vivia de embrulhar os crédulos clientes que lhe caíam nas mãos. Todos sabiam que ele não tratava de coisa alguma, pois não podia absolutamente tratar, já por não saber coisa alguma das tricas forenses, já por não ser, de verdade, advogado. Assim mesmo, sempre apareciam ingênu...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
121
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um homem que prestou muitos serviços ao país. Sempre lembrado dos seus duros começos em que ela muito o ajudara e o animara, Manuel tinha, pela mulher, uma grande e sincera afeição, evitando o quanto possível contrariá-la, e, por isso, não teimou dessa feita. Meses depois, porém, logo que chegou em casa, a mulher e...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
82
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as suas rumorosas fazendas de café, que a escravaria negra povoava e penava sob os açoites e no suplício do tronco. O armazém em que Marramaque era empregado havia de tudo: ferragens, roupas feitas, isto é, camisas, calças, ceroulas grosseiras, para trabalhadores; armas, louças, etc., etc. Comprava
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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tropeiros e viajantes em preparativos de partida, tal fato causou pasmo a “Seu“ Mendonça: - Ainda lês, menino! E não te lembras que, daqui a pouco, deves estar de pé, filho de Deus! - Esperava o senhor. - E mais esta! Então tu pensas que eu me smo não sabia despir-me e meter-me à cama? Que lês? - Primaveras,...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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Marramaque: - Tu gostas de versos, rapaz? Hesitou em responder, ma s Mendonça fez rispidamente: - Dize lá, rapaz; porque ni sto não vai crime algum. Está a ver-se, rapaz! Dize! - Gosto, sim senhor - fez o caixeiro timidamente. - Pois deves ir para o Ri o - acudiu Mendonça com pressa - estudar e... quem sabe l...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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caixeirozinho. Falou ao patrão, e ele foi se empregar numa papelaria-livraria, na Rua da Quitanda. Freqüentada por poetas e literatos que ensaiavam os primeiros passos, nos últimos quinze anos do Império, com eles se relacionou e sempre era escolhido para secretário, gerente, tesoureiro, de suas efêmeras publicações...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
121
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publicou. Que lindeza! Aquilo era um poeta que não forçava, nem tinha compasso e régua. Ouça só! E, com uma voz difícil, devido à semiparalis ia da parte esquerda da boca, esbugalhando os olhos, devido ao esforço para pronunciar bem as palavras, recitava: Prostrado nesta enxerga, sinto a vida Ir, pouco e pouc...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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domingos, procuravam visitar os arrabaldes pitorescos e voltavam à noite. Tomavam comida fora e só tinham uma rapariguita preta, de uns dezesseis anos, para os serviços leves da casa. Não se sabe como, Cassi conseguiu conhecer a gaúcha e seduzi-la. Mal o marido saía, ele se metia em casa da moça com violão e tudo. A...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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vulgar: - Por nada. Coisas de mulh eres, meu velho. É o meu fraco. Pela grade do xadrez, dirigiu-se a um sold ado, a quem conhecia, e falou-lhe baixo qualquer coisa. Em breve, foi a praça substituída por outra. Vendo isso Cassi, disse para o velho Lafões: - Estás aqui, estás na rua. Mandei o soldado falar ao meu...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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uma moça pedia fossem tomadas. - Vamos experimentar, meu caro Marra maque. “Ele“ sabe com quem se mete... - Eu cá, por mim, nada tenho a dizer dele. Sempre me tratou muito bem e sou-lhe grato. - É que você, Lafões, não lê os jornais. - Qual jornais! Qual nada! T udo que lá vem neles é mentira. Clara ouvia ess...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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talvez lhe fossem prejudiciais. Puxava a ambos os pais. O carteiro era pardo-claro, mas com cabelo ruim, como se diz; a mulher, porém, apesar de mais escura, tinha o cabelo liso. Na tez, a filha tirava ao pai; e no cabelo, à mãe. Joaquim era alto, bem alto, acima da média, ombros quadrados e rija musculatura; a mã...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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àquele momento, com grande desgosto para as moças, o trovador Cassi não havia ainda aparecido. Clara não ocultava o seu desa pontamento; e uma de suas colegas lhe dizia em confidência: - Clara, toma cuidado. Este homem não presta. A moça não respondia, encaminhava-se para a sa la de jantar, a fim de disfarçar a em...
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Clara dos Anjos
Afonso Henriques de Lima Barreto
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