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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
do_obra_002_131 | parentes e amigos de ambos do que havia acontecido. Praxedes correu à casa de Joaquim dos
Anjos, para desobrigar-se da missão. Foi recebido pela mulher e a filha.
- Quincas não está aí - disse-lhe Dona Engrácia. - Ele saiu cedo...
- O senhor pode telefonar para a Repartição dos Correios - lembrou Clara.
- Lembre... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 110 | ||
do_obra_002_132 | ensinaria o remédio? Correu o rol de suas poucas amigas; e só encontrou uma: Dona Margarida.
Nisto, sua mãe gritou-lhe do fundo da casa:
- Clara, estás dormindo? Olha que estão batendo na porta.
- Já vou, mamãe.
Era o estafeta dos telégrafos , que trazia um despacho do pai, comunicando que, devido a ter | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 78 | ||
do_obra_002_133 | Tenho para mim que alguma está para nos acontecer...
- Qual, mamãe! Tudo isto é dol oroso, mas são fatos que se dão...
- Felizmente, esse azar de Cassi se foi. Que vá pro diabo que o carregue!
Clara teve vontade de chorar ; mas conteve-se. Estava resolvida: amanhã, pediria um
“abortivo“ a Dona Margarida.
Joaqu... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 98 | ||
do_obra_002_134 | camarada, sem mescla de delírio, pressentindo que, nele, havia aviso do seu próximo fim.
Engrácia ouviu a narração de Quincas e, ingenuamente, perguntou-lhe:
- Esse Leonardo é mesmo homem de inteligência, Quincas?
- É, Engrácia. Por quê?
- Por que ele então bebe tanto?
- Quem sabe lá? Vício, hábito, capricho ... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 90 | ||
do_obra_002_135 | contentamento, quando organizou toda aquela mentiralhada. Julgava-se salva; mas, com o que ela
não contava, era com a sagacidade da alemã.
Dona Margarida era mulher alta, fort e, carnuda, com uma grande cabeça de traços
enérgicos, olhos azuis e cabelos castanhos tirando para louro. Toda a sua vida era marcada pelo ... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 102 | ||
do_obra_002_136 | continuando com o olhar a sondar inquisitorialmente Clara, observou com energia maternal:
- Clara, você não fala a verdade; você está escondendo alguma coisa.
A moça quis negar; mas Dona Margarida, pre ssentindo que ela ocultava alguma coisa de
grave, cercou-a de perguntas; e Clara não teve outro remédio senão con... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 87 | ||
do_obra_002_137 | a chorar copiosamente, a lastimar-se, a soluçar, dizendo entre um acesso de choro e outro:
- Mas, Clara!... Clara, minha filha!... Meu Deus, meu Deus!
A filha aproximou-se chorando; ajoelhou-se, ajuntou as mãos, em postura de oração, aos pés
da mãe e, soluçando, repetiu:
- “Me perdoe“, mamãe! “Me pe rdoe“, pelo ... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 106 | ||
do_obra_002_138 | de um pobre lar honesto.
Afinal, quando lhe pareceu que ambas estavam mais calmas, interveio:
- Você sabe, Clara, onde mo ra a família desse sujeito?
Clara, ainda soluçando, respondeu:
- Sei.
Dona Engrácia indagou:
- Para quê?
Dona Margarida explicou que, antes de qua lquer procedimento e mesmo de comun... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 81 | ||
do_obra_002_139 | iria imediatamente à casa dele, acompanhada de Clara. Mãe e filha concordaram; e Clara vestiu-se.
A residência dos pais de Ca ssi ficava num subúrbio tido como elegante, porque lá também
há estas distinções. Certas estações são assim consideradas, e certas partes de determinadas
estações gozam, às vezes, dessa cons... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 94 | ||
do_obra_002_140 | malvadez e indignação, demorando o olhar propositadamente. Por fim, expectorou:
- Que é que você diz, sua negra?
Dona Margarida, não dando tempo a que Clar a repelisse o insulto, imediatamente, erguendo
a voz, falou com energia sobranceira:
- Clara tem razão. O que ela pede é justo; e fique a senhora sabendo que... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 84 | ||
do_obra_002_141 | se por sua vez, pôs-se a olhar, cheio de pena, o dorido rosto da rapariga. Todos os olhos se fixaram
nele; ninguém respirava. Afinal, Azevedo falou:
- Minha filha, eu não te posso fazer nada . Não tenho nenhuma espécie de autoridade sobre
“ele“... Já o amaldiçoei... Demais, “ele“ fugiu e eu já esperava que essa fug... | dominio_publico | null | null | Clara dos Anjos | Afonso Henriques de Lima Barreto | 85 | ||
do_obra_016_002 | entrava em casa de Chico Teles, e caía-lhe aos pés.
— Que é isso, menina? perguntou Chico Teles.
— Quero o seu perdão.
— Por quê?
— Promete que nos perdoará...?
— Nos perdoará?... Então?
— Eu sou sua nora.
— Essa!...
— Mas perdoe-nos; o mal, se isto é mal, está feito! vamos perdoe!
— Perdôo, sim; boa menina... Você sem... | dominio_publico | null | null | O Teles e o Tobias | Machado de Assis | 107 | ||
do_obra_016_003 | compreendendo a observação do deputado.
— Sim, continuou Meneses; você esconde-me um segredo...
— Eu?
— É verdade: e um segredo de amor.
— Ah!... disse Estêvão; por que diz isso?
— Reparei há pouco que, ao passo que os mais conversavam em política,
você pensava em uma mulher, e mulher... lindíssima...
Estêvão compreend... | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 123 | ||
do_obra_016_004 | Meneses olhou fixamente para Estêvão, sorriu, abanou a cabeça e disse:
— Olhe, deixe a descrença para os que já sofreram as decepções; o senhor
está moço, não conhece ainda nada desse sentimento. Na sua idade ninguém é
cético... Demais, se a mulher é bonita, eu aposto que daqui a pouco há de dizer-me | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 75 | ||
do_obra_016_005 | libelo ou carta de namoro?
— Nem uma nem outra coisa, respondeu Estêvão secamente.
— Dou-te uma notícia.
— Que é?
— Entrei na literatura.
— Ah!
— É verdade, venho ler-te a primeira comédia.
— Deus me livre! disse Estêvão levantando-se.
— Hás de ouvir, meu amigo; ao menos algumas cenas; dar-se-á caso que
não me protejas... | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 100 | ||
do_obra_016_006 | CENA I
CÉSAR (entrando pela direita); JOÃO (pela esquerda)
CÉSAR — Fechada! A sinhá já se levantou?
JOÃO — Já, sim senhor; mas está incomodada.
CÉSAR — O que tem?
JOÃO — Tem... está incomodada
CÉSAR — Já sei. (Consigo) “Os incômodos do costume”. (A JOÃO) Qual é então o
remédio hoje?
JOÃO — O remédio? (Depois de uma pau... | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 89 | ||
do_obra_016_007 | A criança, sem nada compreender, atirou-se aos braços de Estêvão. O moço
deu-lhe um beijo na testa, e disse para a viúva:
— Se hesitei não foi porque duvidasse do que a senhora acaba de contar-
me; foi porque a missão é espinhosa; mas prometo que hei de cumpri-la.
CAPÍTULO IX
Estevão saiu da casa da viúva agitado por d... | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 107 | ||
do_obra_016_008 | Oliveira correspondeu ao abraço, e quando pôde desligar-se do médico,
disse-lhe:
— Obrigado, meu amigo; estas manifestações são muito honrosas para
mim; sempre te conheci como um perfeito juiz literário, e a prova que acabas de dar-
me é uma consolação e uma animação; consola-me do que tenho sofrido, anima-me | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 77 | ||
do_obra_016_009 | Que supõe então?
— Não suponho nada. Imagino que...
— Pede dramas a um homem político?
— Por que não?
— Eu lhe digo. Sou político e não sou. Não entrei na vida pública por
vocação; entrei como se entra em uma sepultura: para dormir melhor. Por que o fiz?
A razão é o drama de que me fala.
— Uma mulher, talvez...
— Sim, ... | dominio_publico | null | null | A Mulher de Preto | Machado de Assis | 99 | ||
do_obra_001_052 | O governo demoníaco, porém, desaparecerá em breve:
“D. Sebastião já chegou
“E traz muito regimento
“Acabando com o civil
“E fazendo o casamento !
“O Anti-Cristo nasceu
“Para o Brasil governar
“Mas ahi está o Conselheiro
“Para delle nos livrar!
“ Visita nos vem fazer
“Nosso rei D. Sebastião.
“Coitado d... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 90 | ||
do_obra_001_053 | Esta intransigência, este mal sopitado assomo, parti ndo a finura diplomática nas arestas rígidas do dogma, não
teria, certo, o beneplácito de S. Gregório — o Gra nde — a quem não escandalizaram os ritos bárbaros dos
saxônios; e foi um desafio imprudente.
“Enquanto isto dizia, a capela e o coro enchiam-se de ge nt... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 93 | ||
do_obra_001_054 | Era a desordem iminente. Sobresteve-a, porém, a placidez admirável, a mansuetude — por que não dizer cristã ?
— de Antônio Conselheiro. Que o próprio missionário fale:
“Este os fez calar, e voltando-se para mim disse:
— É para minha guarda que tenho comigo estes homens armados, porque V. V.Rev.ma há de saber que... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_055 | Juazeiro, ponto terminal da estrada de ferro, na margem direita do rio S. Francisco, comandando três oficiais e
104 praças de pré daquele Corpo, conduzindo apenas um a pequena ambulância, f azendo eu seguir logo depois
um médico com mais alguns recursos para o exercício de sua profissão. O mais correu pelo Estado.“ | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 79 | ||
do_obra_001_056 | Aquele punhado de soldados foi recebido com surpresa em Juazeiro, onde chegou a 7 de novembro, pela manhã.
Não obstou a fuga de gra nde parte da população, subtra indo-se ao assalto iminente. Aumentou-a. Conhecendo a
situação, os habitantes viram, de pr onto, que um contingent e tão diminuto tinha o va lor negativo... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_057 | Por outro lado raro é possível o itinerário disposto de maneira a aproveitarem-se as horas da madrugada ou da
noite. É forçoso avançar a despeito das soalheiras fortes até às cacimbas dos pousos dos vaqueiros.
Além disto, aqueles lugares estão, como vimos, entr e os mais desconhecidos da nossa terra. Poucos se têm | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 79 | ||
do_obra_001_058 | A pequena expedição penetrou-a l ogo ao segundo dia de viagem, quando, depois de repousar bivacando duas
léguas além de Juazeiro, teve que calcar, seguidamente, quarenta quilômetros de estrada deserta, até uma ipueira
minúscula, a lagoa do Boi, onde havia uns restos de água. Dali por diante caminhou no deserto com es... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_059 | deslizando, furtivos, entre os claros das guardas avançad as. No repentino êxodo lá se foram os próprios doentes,
famílias inteiras, ao acaso, pela noite dentro, dispartindo espavoridos, descampados em fora.
Ora, este fato era um aviso. Uauá, como os dema is lugares convizinhos estava sob o domínio de Canudos. | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 78 | ||
do_obra_001_060 | Travessia do Cambaio
I. Monte Santo. Triunfos antecipados.
II. Incompreensão da campanha. Em marcha para Canudos.
III. O Cambaio. Baluartes sine calcii linimenti. Primeiro recontro. Episódio trágico.
IV. Nos Tabuleirinhos. Segundo combate. A Legio Fulminata de João Abade. Novo milagre de Antônio | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 77 | ||
do_obra_001_061 | Entretanto é por esta acima ate ao vértice que se pr olonga, saindo da praça, a mais bela de sues ruas — a
via-sacra dos sertões, macadamizada de quartzito al víssimo, por onde tem passado multidões sem conta em um
século de romarias. A religiosidade ingênua dos matuto s ali talhou , em milhares de degraus, coleante,... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_062 | alvenaria, a desabarem em certos trechos, cheia de degr aus fendidos, tortuosa, lembra uma enorme escadaria em
ruínas. O povoado triste e de todo decadente reflete o mesmo abandono, traindo os desalentos de uma raça que
morre, desconhecida à historia, entre paredes de taipa. Na da recorda o encanto clássico das aldei... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_063 | inquinam-na todos os estigmas do banditismo original. Sobranceiras ao rigorismo da estratégia, aos preceitos da
tática, à segurança dos aparelhos sinistros, a toda a altitude de uma arte sombria, que põe dentro da frieza de uma
fórmula matemática o arrebentamento de um schrapnel e subordina a parábolas invioláveis o ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 112 | ||
do_obra_001_064 | Transposta a Lajem de Dentro e a divisória das vertentes do Itapicuru e do Vaza-Barris, a estrada desce.
Torna-se, porem, mais seria a travessia, metendo-se no aci dentado de contrafortes, de onde fluem os tributários
efêmeros do Bendegó. A bacia de captação deste desenha-se, então, ligando as abas de três serras, a ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_065 | acumuladas e, talvez, também com a ilusão enganadora do triunfo recente. De sorte que não pressentiram, em
torno, a sobre-rolda dos jagunços. Porque a nova da investida chegara ao arraial com os foragidos; e para quebrar
o ímpeto do invasor sobrestante , grande numero de lutador es de lá partiram. Meteram-se, imperce... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_066 | mannlichers fulminantes. Volviam ao sistem a habitual de guerra, o que era delongar indefini damente a ação,
dando-lhe um caráter mais sério que o do ataque violento anterior, fazendo-a derivar cruelmente monótona, sem
peripécias, na iteração fatigante dos mesmos incident es, até ao esgotamento completo do adversário... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_067 | pisando, indomável, o território do inimigo — e conquistando a golpes de armas todas as voltas dos caminhos.
Ora, a retirada do major Febrônio se, pelo restrito do cam po em que se operou, não se equipara a outros feitos
memoráveis, pelas circunstâncias que a enquadraram é um dos episódios mais emocionantes de noss... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_068 | Expedição Moreira César
I. O coronel Antônio Moreira César e o meio que o celebrizou. Primeira expedição regular. Como a aguardam os
jagunços.
II. Partida de Monte Santo. Primeiros erros. Nova estrada. Psicologia do soldado.
III. O primeiro encontro. Pitombas. “Em acelerado!“ Dois cartões de visita a Antônio ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 85 | ||
do_obra_001_069 | absolutamente neutral constituiu-se veículo propício à transmissão de todos os elem entos condenáveis que cada
cidadão, isoladamente, deplorava. Segundo o processo ins tintivo, que lembra na esfera social a herança de
remotíssima predisposição biológica, tão bem expressa no “mimetismo“ psíquico de que nos fala Scipio... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_070 | ilogicamente, desde o movimento abo licionista até à proclamação da Re pública, em elemento ponderador das
agitações nacionais, cortejavam-no, captavam-no, atraíam-no afanosa e imprudentemente.
Ora, de todo o exército, um coronel de infantaria, An tônio Moreira César, era quem parecia haver herdado a | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 76 | ||
do_obra_001_071 | baralhamento, nesse afogueado expandir da nossa sentimenta lidade suspeita, o que de fato se fazia em todos os
tons, com. todas as cores e sob aspectos vários — era a caricatura do heroísmo. Os heróis imortais de quarto de
hora, destinados a suprema consagração de uma placa à es quina das ruas, entravam, su rpreendid... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 84 | ||
do_obra_001_072 | Justificam-se os que o aplaudiam e os que o invectivavam. Naquela individualidade singular entrechocavam-se,
antinômicas, tendências monstruosas e qualidades superiores, umas e outras no máximo grau de intensidade. Era
tenaz, paciente, dedicado, leal, impávido, cruel, vingativo, ambicioso. Uma alma proteiforme constr... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_073 | Entretanto, não raro, a sua serenidade partia-se rota pelos movimentos impulsivos da moléstia, que somente mais
tarde, mercê de comoções violentas, se desvendou inteiramente nas manifestações físicas dos ataques. E se
pudéssemos acompanhar a sua vida assistiríamos ao desdobramento contínuo do mal, que lhe imprimiu, c... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_074 | plantações, estiradas pelas duas margens do rio, os que na véspera já tinham pago o tributo de se entregarem ao
serviço comum. Dirigiam-se para as obras da igreja, out ro; e outros — os mais ardilosos e vivos — para mais
longe, para Monte Santo, para o Cumbe, para Queimadas, em co missões delicadas, indagando acerca ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_075 | mental, graças talvez à circunstância de haver estudado no liceu de uma da s capitais do Norte, de onde fugira
após haver assassinado a noiva, o seu primeiro crime. O certo é que os dominava e disciplinava. “Comandante da
rua“, título inexplicável naquele la birinto de bitesgas, sem abandonar o povoado exercia-lhe ab... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_076 | chefes que o dirigem e de cuja ener gia parece viver exclusivamente. De sorte que a mínima vacilação daqueles
tem, de chofre, extintas todas as ousadias e cai num abatimento instantâneo salteado de desânimos invencíveis.
Ora, naquela ocasião, tudo vaticinava aos expedicionários a vitória. Com tal chefe não havia co... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 84 | ||
do_obra_001_077 | E reatou-se a marcha, mais rápida agora, a passos est ugados, ficando em Pitombas os médicos e feridos, sob a
proteção do contingente policial e resto da cavalaria. O grosso dos combaten tes perdeu-se logo em adiante, em
avançada célere. Quebrara-se, de vez, o encanto do inimigo. Os atiradores e flanqueadores, na van... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_078 | O recontro fora um choque galvânico. A tropa, a marche-marche, prosseguia, agora, sob a atração irreprimível da
luta, nessa ebriez mental perigosíssi ma, que estonteia o soldado duplamente fortalecido pela certeza da própria
força e a licença absoluta para as brutalidades máximas.
O pânico e a bravura | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 76 | ||
do_obra_001_079 | Dispersa na frente a companhia de atiradores revolvia as moiteiras, dentre as quais, distantes, raros tiros,
espaçados, de adversários em fuga, estrondavam, como se tivessem o intuito único de a atraírem e ao resto da
tropa; espelhando estratégia ardilosa, armada a arrebatá -la até ao arraial naquelas condições desfa... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_080 | e dizendo em parte para a grande praça onde se fronteavam as igrejas, o obs ervador tinha a impressão exata de
topar, inesperadamente, uma cidade vasta. Feito grande fosso escavado, à esquerda, no sopé das colinas mais
altas, o Vaza-Barris abarcava-a e inflectia depois, endi reitando em cheio para leste, rolando lent... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_081 | árvores esparsas, pequenos renques de pa lmatórias rutilantes e as ramagens vi rentes de seis pés de quixabeiras
davam-lhe o aspecto de um jardim agreste. Aí caía a en costa de um esporão do morro da Favela, avantajando-se
até ao rio, onde acabava em corte abrupto. Estes últimos rebentos da serrania tinha m a denomin... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_082 | se alinhara segundo o traçado do Vaza-Barris, e à esque rda pelos 9.o e 16.° mal distendidos em terreno
impróprio. A artilharia, no centro, sobre o último esporão dos morros avançado e a prumo sobre o rio, fronteiro e
de nível com as cimalhas da igreja nova — fez-se o ei xo desta tenalha prestes a fechar-se, apertand... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_083 | firmes. O coronel Moreira César, porém, desdenhara essas condições imperiosas e, arrojando à batalha toda a sua
gente, parecia contar menos com a bravura do soldado e competência de uma oficialidade leal que com uma
hipótese duvidosa: o espanto e o terror dos sertanejos em fuga, colhidos de improviso por centenares d... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_084 | qual não podia certamente formular uma única hipótese. A tropa desaparecera toda nos mil latíbulos de Canudos.
Lá dentro rolava ruidosamente a desordem, numa assonâ ncia golpeada de estampidos, de imprecações, de gritos
estrídulos, vibrantes no surdo tropear das cargas. Grupos esparsos, seções em desalinho de soldado... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_085 | agarrando-se às gramíneas escassas, especando-se nas armas, filando-se às pernas dos felizes que conseguiam
vencê-las, se embaralham outra vez em congérie rui dosa. Era um fervilhar de corpos transudando vozear
estrídulo, e discordante, e longo, dando a ilusão de alguma enchente repentina, em que o Vaza-Barris, | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 78 | ||
do_obra_001_086 | arremetida envolvente. Embaixo começou a bater desabala damente o sino; a igreja nova explodia em descargas,
e, adensada no largo, ou correndo para o alto das co linas, toda a população de Canudos contemplava aquela
cena, dando ao trágico do lance a nota galhofeira e irritante de milhares de assovios estridentes, lon... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_087 | Entre os fardos atirados à beira do caminho ficara, logo ao desencadear-se o pânico — tristíssimo pormenor! —
o cadáver do comandante. Não o defenderam. Não houve um breve simulacro de repulsa contra os inimigos, que
não viam e adivinhavam no estrídulo dos gritos desafiadores e nos estampidos de um tiroteio irregular... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_088 | atitude do comando-em-chefe.
V. O assalto: preparativos; o recontro. Nova vitória desastrosa. Nos flancos de Canudos. Triunfos pelo telégrafo.
VI. Pelas estradas. Os feridos. Primeiras notícias certas. Versões e lendas.
VII. A brigada Girard. Heroísmo estranho. Em viagem para Canudos.
VIII. Novos reforços. ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 100 | ||
do_obra_001_089 | retardatários. Estes, ao menos, eram lógicos. Insulado no espaço e no tempo, o jagunço, um anacronismo étnico,
só podia fazer o que fez — bater, bater terrivelmente a nacionalidade que, depois de o enjeitar cerca de três
séculos, procurava levá-lo para os deslumbramentos da nossa idade dentro de um quadrado de baione... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_090 | marcara a peripécia culminante da peleja. Ordenança de Moreira César, quando se desbaratara a tropa, e o
cadáver daquele ficara em abandono à margem do caminho, o lutador leal permanecera a seu lado, guardando a
relíquia veneranda abandonada por um exército. De joelhos junto ao corpo do comandante, batera-se ate ao | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 79 | ||
do_obra_001_091 | O comandante do 2.° Distrito Militar, general Artur Os car de Andrade Guimarães, convidado para assumir a
direção da luta, aceitou-a, tendo antes, numa proclamação pe lo telégrafo, definido o seu pensar sobre as coisas:
“Todas as grandes idéias tem os seus mártires; nós estamos votados ao sacrifício de que não fugimo... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 98 | ||
do_obra_001_092 | conseguira sequer um serv iço regular de comboios, que partindo de Queimadas abastecessem a base das
operações, de modo a armazenar reservas capazes de susten tar por oito dias a tropa. De sorte que ao chegar o
mês de julho, quando a 2 .a coluna, atravessando Sergipe, se abeirava de Jeremoabo, não havia em Monte Sant... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 121 | ||
do_obra_001_093 | ali adentro. Um ou dois corpos assim dispostos e convenientemente adestrados acabariam por copiar as
evoluções estonteadoras dos jagunços, sobretudo considerando que ali estavam, em todos os batalhões, filhos do
Norte, nos quais o uniforme bárbaro não se ajustaria pela primeira vez.
Não seria, isto, excessiva orig... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 99 | ||
do_obra_001_094 | fulgentes, entre os gravetos da caatinga decídua. Além disto, atestam-no os nossos admiráveis patrícios dos
sertões, aquela vestidura bizarra, capaz, em que pese ao seu rude material, de se afeiçoar aos talhos de uma
plástica elegante, parece que robustece e enrija. É um mediador de primeira ordem ante as intempéries... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_095 | Toda a expedição em caminho, forte de uns 3 mil combat entes, avançou até ao Araca ti, 46 quilômetros além de
Monte-Santo, de idêntico modo: as grandes divisões progredindo isoladas, ou concentrando-se e dispersando-se
logo, distanciando-se às vezes dema is, contrastando sempre a investid a ligeira da vanguarda com o... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_096 | filetes em gume e pouco salientes, semelhando-se a um enorme polvo de milhões de antenas, como elas flexíveis
e elásticas, cobrindo, não raras vezes , considerável superfície do solo, em aranhando-se, por entre a esquisita e
raquítica vegetação destas paragens, em uma trama impe netrável. A foice mais afiada dos noss... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_097 | que a cumanã se dissolveu em mais benigna vegetação ao sair das Queimadas de que já falamos. O canhão 32,
não podendo vencer os obstáculos avolumados pela noite, ficou dentro da picada até o dia seguinte e com ele o
dr. Domingos Leite, que trabalhava desde o Rio Pequeno com uma turma de “chineses“ no empenho de levá-... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_098 | se prolongaram até ao dia seguinte, a todos contrariando, a todos causando mal-estar e aborrecimentos. Aí
também acampou a brigada de artilharia, o 16.° e o 25.° Batalhões de Infantaria , tendo-se conservado em
proteção ao 32 o 27.° que dormiu na picada. Foi magní fico, esplêndido mesmo, o espetáculo que a todos | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 78 | ||
do_obra_001_099 | Porque o morro da Favela, como os demais daquele trato dos sertões, não tem nem mesmo o revestimento
bárbaro da caatinga. E desnudo e áspero. Raros arbúscu los, esmirrados e sem folhas, raríssimos cereus ou
bromélias esparsas, despontam-lhe no ci mo sobre o chão duro, entre as junt uras das placas xistosas justaposta... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_100 | leste pelas linhas ondeantes dos cerros, emergia, a pouco e pouco, na claridade daquela hora matinal com a
feição perfeita de uma cidadela de expugnação dificílima. Percebia-se que um corpo de exército ao cair no
dédalo de sangas, que lhe enrugam em roda o terreno, ma rcharia como entre galerias estreitas de uma praç... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_101 | espingardas dispararam a um tempo dirigidas contra os morros. Estes fatos passaram em minutos, e em minutos,
na área comprimida em que se agitava, inútil, a expedição, viu-se a mais lastimável desordem.
Ninguém deliberava. Todos agiam. Ao acaso, estonteadam ente, sem campo para o arremesso das cargas ou para | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 78 | ||
do_obra_001_102 | indisciplinadamente autônomo, sem determinação superior e com o intento firme de arrebatar, numa carga única,
até à praça das igrejas, vitoriosos, os mesmos solda dos que lá se tinham debanda do, vencidos, quatro meses
antes. A sua brigada investiu, batida em cheio pelos fogos diretos do inimigo entrincheirado; e, qu... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_103 | oficiais , e entre estes o capitão fiscal do 5.o Regimento, Nestor Vilar Barreto Coutinho.
Começaram a chegar ao quartel-general reclamos insistintes para que fossem municiados os batalhões.
Fez-se, então, seguir à retaguarda o capitão Costa e Silv a, assistente do deputado do quartel-mestre-general , a | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 77 | ||
do_obra_001_104 | bifurcação que a divide. Atravessa-a, metendo-se por uma das veredas, à direita ou à esquerda, até chegar à outra
saída única. Transpõe-na. Mas livre da garganta multívia não encontra uma várzea complanada como a da outra
banda. O solo, ainda que em menor escala, continua revolto. O Vaza-Barris, contorcido em meandro... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_105 | o qual estrondavam terrivelmente oitocentas Mannlichers, começou de se tornar funestíssimo.
A 5.a Brigada foi admirável de disciplina, afrontando-o por duas horas, na posição em que estacara, à margem do
Vaza-Barris, abrigando-se entre os ralos arbustos que a re vestem. Não adiantara, em todo esse tempo, um passo. | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 79 | ||
do_obra_001_106 | sentidos; improvisando trincheiras; ag rupando-se ao acaso em simulacros de formatura; arrastando fardos e
cadáveres; retirando os muares, cujas pa tas entaloadas eram ameaça permanente aos feridos que lhes rastejavam
aos pés, não teve esforços convergentes e úteis.
Não a dominava, todavia, inteiramente, a desespe... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_107 | Conteirara-se, visando-a, o Withorworth 32, que viera adrede para lhe derrubar os muros. Rugiu, porém, neste
dia, sobre ela sem a atingir: as balas passavam-lhe, s ilvando, sobre a cumeeira. Perdiam-se nos casebres unidos.
Uma única tombou sobre o adro, escaliçando a fachada. As demais se perderam. Essa péssima estré... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_108 | cevada a cartucheira de balas, perdia -se nas chapadas, presumindo-se de resguardos como se fosse à caça de
leões. Atufava-se no bravio das moiteiras... Rompia a galh ada inflexa, entressachada de gravatás mordentes. E
— olhos e ouvidos armados aos mínimos contornos e ao s mínimos rumores — atravessava longas horas n... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_109 | alongando as distâncias, para atingirem com resguardos um ponto abrigado qualquer de onde o distinguissem a
salvo. Perturbavam-se-lhes, então, as vistas, no emara nhado dos casebres, esbatidos embaixo. E contavam: 1, 2,
3, 4 mil, 5 mil casas ! Cinco mil casas ou mais ! Seis mil casas, talvez! Quinze ou 20 mil almas —... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_110 | correndo, ou apontava, por um segundo, indistinto e fug itivo, à entrada da grande praça vazia, desaparecendo
logo. Nada mais. Em torno o debuxo misterioso de uma paisagem bíblica: a infinita tristura das colinas desnudas,
ermas, sem árvores. Um rio sem águas, tornejando-as, feito uma estrada poenta e longa, mais lon... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_111 | Crepitavam nos ares com estalidos secos e fortes, como se arrebentassem em estilhaços inúmeros. Criou-se,
então, a lenda, depois insistentemente propalada, das balas explosivas dos jagunços. Tudo a sugeria. Aceita ainda
a hipótese de previrem os estalos do desigual coeficiente de dilatação entre os metais constituint... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_112 | preestabeleceu realizada sem que a perturbasse o inim igo, obliquariam à esquerd a, demandando o Vaza-Barris.
Dali, volvendo ainda à esquerda, arreme teriam em cheio até à praça das igre jas. O movimento, contornante a
princípio, ultimar-se-ia em trajet ória retilínea; e se fosse impulsionado com sucesso favorável, o... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_113 | Paremos um momento diante de uma condicional comprometedora. Ante ela a ordem do dia, lida com aplausos a
17, devia ter sido trancada ao cair da noite de 18.
“... se tiverdes constância, se ainda uma vez fordes os bravos de todos os tempos, Canudos estará em vosso poder
amanhã; iremos descansar e a Pátria saberá a... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 88 | ||
do_obra_001_114 | guardando a posição: a 2.a e 7.a Brigadas dos coronéis Inácio Henrique de Gouveia e Antonino Néri, a última
recém-formada, assim como a de artilharia, que secundaria o ataque num bombardeio firme.
A 1.a a coluna dirigida pelo genera l Barbosa marcharia na frente para o combate encalçada logo pela ala de | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 77 | ||
do_obra_001_115 | extremas daquele flanco, rudemente batidas, convergiam em acelerado para a direita, na repulsa a adversários
que não viam, na planura desnuda e chata, que as vist as, entretanto, num lance devassavam. Arremeteram, ao
acaso, na direção de um umbuzeiro, frondente ainda. Era a única árvore que ali aparecia. Os tiros ráp... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_116 | esquerda, entrincheirou-se o 5.° de Polícia, distendendo-se até à borda di reita do Vaza-Barris onde se ligava ao
26.° de Infantaria. Este, por sua vez, desdobrando-se, ia unir-se na margem oposta ao 5.° de linha, junto ao
cemitério. Seguiam-se sucessivamente: o 25.°, nos fundos da igreja velha; o 7. °, paralelamente... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 112 | ||
do_obra_001_117 | inimigo vigiava-os, implacável. Afrouxara a fuzilaria, mas para recair na praxe costumeira das tocaias: em cada
frestão de parede insinuava-se um cano de espingarda e um olhar indaga dor. Cada passo do soldado fora do
ângulo de uma esquina era a morte.
Começou-se a sentir o império de uma situação mais incô moda q... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 92 | ||
do_obra_001_118 | esperança do assalto e da vitória; desprezava-se ainda o adversário, que só revidava de longe, entre ciladas.
Agora, nem este engano restava. O jagunço ali estava — indomável — desafiando um choque braço a braço.
Não o atemorizara a proximidade dos contendores, profi ssionais da guerra, que lhe enviavam as gentes das... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 108 | ||
do_obra_001_119 | baixas da véspera: um soldado morto.
Dia 21— Madrugada tranqüila. Poucos ataques durante o dia. Os canhões da Favela bombardeiam até à boca da
noite. Dia relativamente calmo. Poucas baixas.
Dia 22 — Sem aguardar a iniciativa do adversário, a artilharia abre o canhoneio às cinco horas da manhã — | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 75 | ||
do_obra_001_120 | direita. A custo repelidos recuam até às primeiras casas não conquistadas de onde reatam o tiroteio, cerrado,
contínuo. Tombam o comandante do 33.°, Antônio Nunes Sales, e muitos oficiais e praças. Ao meio-dia cessa a
agitação.
Súbito silêncio desce sobre os dois campos. À uma hora — novo assalto, mais impetuoso a... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_121 | a pique em que tombara do cavalo, pesadamente, mort o, o coronel Tamarindo; nas proximidades do Aracati e
Juetê, choupanas em ruínas, esteios e traves roídos dos incêndios, cercas arrombadas e invadidas de mato, velhas
roças em abandono, estereografando, indelével, o rastro das expedições anteriores... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 76 | ||
do_obra_001_122 | No total entrava a 1.a coluna com 1.171 homens e a 2.a com 878. Discriminadamente eram estes os algarismos:
“1a coluna —Artilharia: 9 oficiais e 47 praças feridas; 2 of iciais e 12 praças mortas; ala de cavalaria: 4 oficiais e
46 praças feridas; 30 oficiais e 16 praças mortas; engenheiros: 1 oficial e 8 pr aças fer... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 86 | ||
do_obra_001_123 | oficiais e 59 praças feridas; 2 oficiais e 22 praças mortas ; 14.°: 8 oficiais e 119 praças feridas; 5 oficiais e 42
praças mortas; 15.°: 5 oficiais e 30 praças feridas; 10 praças mortas; 16.°: 5 oficiais e 24 praças feridas; 10
praças mortas; 25.°: 9 oficiais e 134 praças feridas; 3 oficiais e 55 praças mortas; 27.°... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 86 | ||
do_obra_001_124 | oficial e 50 praças mortas; 26.°: 6 oficiais e 36 praças feridas; 2 oficiais e 22 praças mortas; 31.°: 7 oficiais e 99
praças feridas; 4 oficiais e 48 praças mortas; 32.°: 6 ofic iais e 62 praças feridas; 4 oficiais e 31 praças mortas;
32.°: 10 oficiais e 65 praças feridas; 1 oficial e 15 praças mortas; 34.°: 4 ofici... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 88 | ||
do_obra_001_125 | Imaginem-se dois extensos renques de leitos alvadios, e sobre eles — em todas as atitudes, rígidos debaixo dos
lençóis escorridos como mortalhas; de bruços, ou acaroados com os trave sseiros, em mudos paroxismos de
dores; sentados, ou acurvados, ou estorcendo-se em gemi dos — quatrocentos baleados ! Cabeças envoltas ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_126 | pormenores — equipamento dos batalhões que chegavam e acomodações para as turmas incessantes de feridos
— o seu espírito superpunha-lhes se mpre aquele objetivo capital, condição preponderante, e talvez única, do
sério problema a resolver. Venceu-o, por fim, num destruir tenaz de numerosas dificuldades.
Nos último... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 105 | ||
do_obra_001_127 | Dispensava o heroísmo, desdenhava o gênio militar, excluía o arremesso das brigadas, e queria tropeiros e
azêmolas. Esta maneira de ver implicava com o lirismo patriótico e doía, feito um epigrama malévolo da
História, mas era a única. Era forçada a intrusão pouco lis onjeira de tais colaboradores em nossos destinos.... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 80 | ||
do_obra_001_128 | brigadas por tenentes-coronéis, não descendo o das companhias aos sargen tos por ser maior que o destes o
número de alferes.
Breve, porém, a situação mudaria. Canudos teria em torno, em algarismos rigorosamente exatos, trinta batalhões,
excluídos os corpos de outras armas.
Avançava pelos caminhos a divisão salv... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 81 | ||
do_obra_001_129 | exato de seguirem para uma guerra exte rna. Sentiam-se fora do Brasil. A se paração social completa dilatava a
distância geográfica; criava a sensação nostálgica de longo afastamento da pátria.
Além disto, a missão que ali os conduzia frisava, mais fundo, o antagonismo. O inimigo lá estava, para leste e | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 77 | ||
do_obra_001_130 | Prisioneiros
Os novos combatentes imaginaram-na extinta antes de chegarem a Canudos. Tudo o indicava. Por fim os
próprios prisioneiros que chegavam, e eram, no fim de tantos meses de guerra, os primeiros que apareciam.
Notou-se apenas, sem que se explicasse a singularidade, que entre eles não surgia um único homem... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 82 | ||
do_obra_001_131 | incessantes de foragidos: soldados caminhando tardos, abordoando-se às espingardas; oficiais carregados em
redes, chapéus caídos aos olhos, surdos ao tropel da caval gata, que estrepitava a um lado, imóveis, rígidos como
cadáveres; e aqui, ali, largas nódoas negras na caatinga , rastros escurentos dos in cêndios, em ... | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 83 | ||
do_obra_001_132 | entrincheirados na fazenda Velha, algumas dezenas de guerrilheiros zombavam dos canhões do coronel Olímpio
— que se emparcavam no alto num rebordo da Favela. A dois passos da artilharia e dos contingentes que a
reforçavam, tinham durante mais de dois meses tolhido a dilatação do cerco por aquela banda, a despeito da | dominio_publico | null | null | Os Sertões | Euclides da Cunha | 79 |
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